[ Quinta-feira, Janeiro 08, 2009 ]


Escreve um verso pra mim.

Não. Escrevo um silêncio onde possa caber o sentido de todas as palavras.
Alice [00:13] [Comentários: ]

[ Quinta-feira, Junho 19, 2008 ]


No mínimo, uma violência. Hasteia a bandeira branca no dia do casamento. Brinda com água. Arrota fogo. A bandeira cai do mastro. A aliança deixa o dedo em carne viva. A lágrima de mentira não rola. O riso é banal e, quando promete ficar, deixa a presença. A alma, permite que vá embora.
Alice [20:47] [Comentários: ]

[ Sábado, Maio 03, 2008 ]


A grande máxima:

EU MINTO.

Você também.
Alice [07:44] [Comentários: ]

[ Segunda-feira, Abril 28, 2008 ]


Não importa mais quem vem, vai ou fica. Além do corpo vive a consciência acima de tudo. Calada, diz tudo através do olhar e outros gestos. Uma compreensão espontânea. Agora faz sentido a dita eternidade aquecida por um momento finito. Toda vez que não há o toque, há o senti-lo mais forte do que pudera. Sob o brilho de pálpebras contraídas num sorriso, as palavras continuam as mesmas, ainda que não ditas como outrora. Não há espera, porque o presente, sim, é infinito.
Alice [02:03] [Comentários: ]

[ Quarta-feira, Janeiro 23, 2008 ]


Suporta o próprio cheiro... A palavra foge com entonação tão ausente, que a interrogação nem chega a ser emitida. Ambigüidade vem em gotas como as que escapam da ferida mofada na parede. Tudo pontuado. Determinado. Finito. Ainda assim, o mofo se alastra em seu tempo, com ou sem pressa. Sem arestas ou além delas. Mofo faz faltar o ar que é preciso pra gritar qualquer coisa ou, menos dramaticamente, pra dizer qualquer coisa, até um nonsense de amor de quem voltou a ser jovem com a pele rosada e o brilho lapidado nos olhos. Coisa que não é possível encontrar do outro lado do espelho, nem em companhia da própria sombra.
Alice [09:56] [Comentários: ]

[ Domingo, Janeiro 20, 2008 ]


É um roteiro. Dois sorrisos, um de frente pro outro. Os rostos em close navegando um no outro, carinho intenso, conforto familiar, até tudo escurecer e sobrarem só bocas de onde saem fios em nós com espinhos e chamas. Chibatadas de palavras açoitando o vazio. O bom é que chove e tudo acaba.
Alice [16:20] [Comentários: ]

[ Sábado, Janeiro 05, 2008 ]


MADRUGADA EM LISBOA (julho de 2007)

Não quer dormir, mas toma um comprimido pra acordar quando "sonambula" umas noites, quase todas aos olhos abertos fazendo as tarefas da rotina, que durante o dia não consegue ao perambular pela vida com os órgãos dos sentidos desativados por motivos de força maior não divulgados pela imprensa.

Quem disse que há loucura quando some a louça suja da pia e a mesma é encontrada debaixo da cama por trás das caixas que guardam os ossos dos pombos mortos encontrados intactos ou esmagados de forma selvagem e posteriormente colecionados, etiquetados e plastificados para serem esquecidos até o momento em que inutilmente o acaso nada imprevisível fizer com que sejam resgatados quando a louça for necessária, não havendo mais como adiar a ginástica emocional do uso do detergente na esponja?

Então por que não dar o crédito a uns 5 minutos a mais fora do seu cronograma pra deixar o aleijado levantar da cadeira de rodas?

Perguntas sem respostas são apenas afirmativas marotas por vezes geniais, mas outras tantas ironias cretinas paridas por falsos humildes mestres, numa iniciativa nem um pouco espiritual.
Alice [16:21] [Comentários: ]

[ Sexta-feira, Novembro 02, 2007 ]


Solidão de verdade é fechar a porta para si mesmo. Silêncio incômodo interno. Hoje a solidão despiu-se da timidez e foi às flores. O cheiro das flores dadas por amor é doce. Mas o olfato de quem não reciproca essa doçura vai do buquê de maio para a coroa de novembro.
Alice [14:50] [Comentários: ]

[ Terça-feira, Outubro 23, 2007 ]


Se você espera alguma coisa, você julga e delimita, para si mesmo, a ação incontrolável do outro. Há nisso uma dose de benesse, contudo por mais que você tenha boa experiência com as rédeas do cavalo, não há como fugir à vontade própria do animal, quando da queda inevitável por você.
Alice [00:27] [Comentários: ]

[ Segunda-feira, Outubro 15, 2007 ]


Deus castiga... Minha mãe costumava dizer.
Alice [02:38] [Comentários: ]

[ Terça-feira, Setembro 25, 2007 ]


Mesmo sendo a matemática uma ciência exata, a precisão absoluta é algo que escapa por entre os dedos da humanidade animal.

As coisas são como são e só.

Tudo tem fim na morte.

O prazo de validade é o tempo que se tem para perceber isso ou se perder em pensamentos e emoções de gravidade esmagadora, arranhando a lente entre a realidade e a loucura.
Alice [19:10] [Comentários: ]

[ Domingo, Setembro 16, 2007 ]


Em nome do desapego, arrisco a caligrafia digital hospedada na casa dos outros, os quais exigem a aceitação dos termos responsáveis por assegurar-lhes a dita liberdade que haverá, ou não, de um dia passar a borracha em muitas de nossas histórias num só clique ou ação pré-programada como o timer do aparelho de injeção letal, cujo acionamento é feito de modo a diluir o peso da culpa.

Pessoas como nós, escondidas no mundo e expostas em pixels, vivem numa prisão sem grades, afogadas em letras bem ou mal lidas/escritas de encontro à vista cansada, produzindo quase sempre uma torrente de nada.

Pixels não têm doenças vasculares ou pulmonares, nem problemas de postura.

Pixels não têm cheiro, gosto ou textura.

Pixels jamais vão matar a fome ou a saudade, mas talvez ainda sirvam para compartilhar alguma coisa que seja além dessa imensa solidão em meio à turba enfurecida, onde volta e meia os ruídos ensurdecedores se transformam em silêncio bloqueador.

No espelho dos pixels ninguém tem vergonha de ser egocêntrico e vaidoso como eu.


Alice [18:22] [Comentários: ]

[ Sexta-feira, Agosto 17, 2007 ]


Maio, de tão maduro, despencou. Nos próximos meses, só marasmo sem aquela intensidade dos oitos ou dos oitentas sentidos na pele ou no coração pelas palavras perdidamente certeiras na ferida sempre aberta da saudade.

Se não me esquece, no meu sono ao menos me afaga.

Te peço que guarde a rosa seca para o dia do meu aniversário, porque é quando vou comemorar o seu, mesmo não estando mais aqui.

E as frutas maduras hão de alimentar a fome de quem tem estômago. Quem tem coração é vampiro. E cérebro é coisa de jerico.
Alice [02:38] [Comentários: ]

[ Terça-feira, Maio 15, 2007 ]


Geralmente a data é escrita no topo da página, do lado direito.

...

Há tempos engolindo gelo, quanto mais as coisas fazem sentido e se revelam inofensivas, mais violentas são as reações somáticas dos órgãos vitais. No diário em branco, está escrito que a despedida não há de ser sofrível, porque não será notada. A ausência tem sido preservação do alheio e preparo para suportar abrir os olhos sob a luz solar.

Puxa o ar com força debaixo d'água e... Shh, ninguém viu.
Alice [22:10] [Comentários: ]

[ Quinta-feira, Março 01, 2007 ]


Beija o espelho e cospe fel.
Alice [17:22] [Comentários: ]